quinta-feira, 27 de outubro de 2011

BR 101 indo pra Recife


Ô saudade de meu pai...
saudade quase sodade...
principalmente agora que o sol
atinge a vista, curtindo a carne da gente
lá pelas quatro horas quando a vista cega no horizonte, pelas bandas de Recife!

Era assim que ele apontava o por do sol no fim de ano!

Era assim que ele ia embora pro Sul, ver o Rio de Janeiro,
na boleia do Mercedes,
para voltar só no Natal!

Lá vai o velho caminhoneiro, cantando:

"Porém se a gente vive a sonhar
Com alguém que se deseja rever
Saudade, entonce, aí é ruim
Eu tiro isso por mim,
Que vivo doido a sofrer"

Ô saudade de meu pai em pleno brilho da BR 101
onde a vista arde e os olhos choram!







   *   *   *

Imagem: Arquivo Pessoal - BR 101 


*  *  *

28 comentários:

jorge vicente disse...

maravilhoso poema! me emocionou!

um grande abraço de portugal
jorge

Assis Freitas disse...

na estrada com tanta saudade,


abraço

Desnuda disse...

Amiga,


Eu fiquei muito feliz em conhecer esta bela “ Pedra do Sertão” onde as palavras amolecem o coração banhando a alma com suavidade e amor . Este poema é lindo e o que li além no seu blog, adorei.


Beijos com carinho, ótima semana e obrigada pela visita e gentileza.

Maria Maria disse...

Que palavra-pedra mais linda e saudosista! Sinto-me pedra-avizinhada de tua poesia!!
um abraço,

Maria Maria

Pedra do Sertão disse...

Olá, pessoal, Jorge Vicente, Assis, Sara e Maria, vi tantas viagens dele que acabei fixando uma imagem profunda na mente, acho que deve ser, por isso, que nos emocionamos!

Abração,

Araceli

Daniele disse...

Oi, flor!
Obrigada pelo carinho.
E não é que estamos em sintonia?
Eu sonhando de lá e você sonhando de cá.
A vida é sonhar, sem sonhos a vida não tem graça.
Beijocas no coração.
Uma semana de muita paz para ti.

Pedra do Sertão disse...

Obrigada, Daniele,

Não acredito em acaso, mas foi bom saber que estamos em sintonia!

Abraço

Francisco Sobreira disse...

Cara Araceli,
Tenho aparecido pouco por aqui, mas não é só no seu blogue. Na verdade, quase não tenho visitado os amigos da blogosfera. O que importa, no entanto, é que não esqueci as pessoas amigas, feito você, com as quais convivi perto de 6 anos. E retornando ao Pedra, constato que ele tem conservado o nível de qualidade. Um grande abraço.

Wilson Torres Nanini disse...

o mais interessante da vida é que há um só rumo e muitos caminhos.

Abraços!

Pedra do Sertão disse...

Caro Sobreira,

Que bom você visitar o Pedra do Sertão e gostar do que viu, fico muito honrada com seus comentários...
Volte sempre!

Caro Wilson, concordo com você, nossas escolhas nos dirigem a caminhos variados, mas o que importa é chegarmos: novos, únicos, verdadeiros!

Abraços

ruma disse...

Hello, Pedra do Sertão.

The excellent and lovely work.

The lovely kimono infants, Japanese tradition

The prayer for all peace.
from Japan, ruma ❀

Andressa C. disse...

saudade acaba nunca.

Roberta Fonseca Winter. disse...

Minha Flor do Sertão,
Guimarães Rosa disse que "não morremos, ficamos encantados."
Nesta breve despedida, saudades de todos que se foram. Estrelas no céu e flores nos campos aquecem e encantam os caminhos de nossa memória. Beijo no coração!

Pedra do Sertão disse...

Pois é, Andressa e Roberta,

Dessa saudade que não acaba nunca, eu tenho de sobra...gosto ainda da palavra "encantado" que Guimarães nos deixou, dar outro ar, para algo que me assusta! Abraço

Rafael Elarrat disse...

Pedra, que poema lindo! É para mim uma honra receber um comentário de alguém literário como você.
Meu livro só vende no www.clubedeautores.com.br
Eu ainda tento uma editora. Abração

Janaina Cruz disse...

Saudades dos fins de tarde em Recife... Ai ai ai

Saudade, esse preto, branco e cinza que teima em misturar-se as nossas cores.

Pedra do Sertão disse...

Rafael...quisera eu ser tão literário assim...estou aprendendo...tirando muitas pedras do caminho, como todos nós!

Janaína...adorei o jeito poético de comentar o poema!

Abração

Luzia Trindade disse...

Vim retribuir a visita e conhecer seu espaço.

Adorei o texto!

Pedra do Sertão disse...

Seja bem vinda, Luzia!

João Esteves disse...

Pedra, sua poética me toca como é pra ser, mesmo.
Beleza no sentimento filial e na reminiscência indelével de um pai viajor, estradeiro, inesquecível pegando BR 101 com destino ao Recife.
Qualquer outra estrada, qualquer outro destino, qualquer outro pai refletem-se aqui perfeitamente, a meu ver. Perfeita tradução.
Gostei muito de tê-la conhecido.
Grande abraço.

Pedra do Sertão disse...

Olá, João,

Seu olhar sobre o poema disse muito para mim. Gostei muito do "estradeiro". Meu pai era caminhoneiro e morava em Juazeiro e eu o acompanhei em algumas viagens pelo Brasil. Foi uma relação tardia, mas bem forte!

Abraço,

Araceli

Eliana Mora [El] disse...

assim o poema: pedra, cal, vida, destino.

belíssimo canto,


beijos da El

Pablo Flora disse...

Isso sim é lirismo dos bons, que nasce junto com o belo clarão do dia!

Danielle Martins disse...

Lindo poema!
Saudade é bom e ruim ao mesmo tempo. Ruim da dor e bom pois só se tem saudade de coisas/pessoas boas.
Bjs!

Fred Caju disse...

Tantas vezes a BR-101 passou em mim.

Pedra do Sertão disse...

Eliane, Danielle, Pablo e Fred desculpem-me pela demora da resposta-diálogo!

Andei viajando muito a trabalho e enrolada com a quantidade de trabalhos técnicos para ler e escrever...Mas a cabeça só querendo vir para cá!

Ô mundo bom!

Abraço,

voltem sempre!

Flora Maria disse...

Beleza !
E a letra do querido Luíz é muito bonita. Adoro essa música !

Beijo

Imaginário disse...

Canto com você a canção:

"Porém se a gente vive a sonhar
Com alguém que se deseja rever
Saudade, entonce, aí é ruim
Eu tiro isso por mim,
Que vivo doido a sofrer".

Que, de tantos, passa a ser minha também.
Abraços.
Gilson.