sábado, 5 de dezembro de 2009

o beijo


único instante

em que a alma

é corpo,

o espírito é preso,

e os olhos não são livres.

(só os pés quase flutuam)
* * *
Imagem: o beijo, de Gustav Klimt (Pesquisa Google imagens)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O cruzeiro


Para Pâmela


Coloquei uma pedra

no cruzeiro desta estrada.

Orei pelo morto,

Orei pra Deus,

Orei pruma alma perdida, vagante:


" – Deus, segura esta alma,

não deixe este morto errar,

olhe por sua família,

dê uma luz para ele achar seu caminho...

Esta pedra fica,

eu vou adiante,

Esta alma sobe, já passou...

o que era errante,

agora se achou".
Imagem:Pesquisa Google => http://www.portinari.org.br

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Quadro vivo


Para Iara Carvalho*

Através da janela
vejo as flores que plantei.
os muros, as planícies,
tantos cavalos soltos que sou...
as várias mulheres que risquei na ponta do lápis.


Através da janela
vejo a luz,
o vento,
os bougaris, as rosas, as margaridas
meus pássaros soltos.
um morro distante para onde dirijo meus olhos cansados.

como são límpidas as janelas por onde vejo o mundo!!!


Em 21 de maio de 2006



* olha aí, Iara, encontrei em um caderno de 2006 e achei a sua cara!!!
** Esta foto foi tirada nas férias de 2009, em Tibau do Sul...de uma janela maravilhosa.

domingo, 6 de setembro de 2009

Saciada*




Corri para baixo de


um toco aberto


nesta mata densa.


Trago na boca


restos do sangue lambido


do bicho que engoli


enquanto tinha fome.


Escondo-me. É hora de dormir.


Não tenho medo


de me encontrar


cara-a-cara com o inimigo.


Saciei o ronco dentro de mim.


Guardo o olhar altivo,


arredio, desligado


da noite.


Estratégia de liberdade.








* Ainda pensando em felinos...






** Imagem => Pesquisa Google

domingo, 23 de agosto de 2009

Pantera Negra


Quantos passos

dei em volta deste campo

fechado?

Rosnei, voltei,

ralei meu pêlo arrepiado

nas cascas das árvores do velho bosque.

Tinha pressa, tinha ânsia,

minhas narinas abriam-se,

fungando ares quentes.



Quantos passos ainda dei nessa espera?

Idas e vindas que fazem o que sou:

pantera negra à espera do meu caçador.



(Ele se demora,

prometeu em seu olhar de homem perdido

e alucinado...caçar-me em noite de lua.

Onde está, então?)





Imagem => Pesquisa Google: arquivosdoinsolito.blogspot.com/2008_09_01_ar...

sábado, 15 de agosto de 2009

Olhando Fortaleza e o belo Bosque de Letras com olhos do Outro: olhos de quem tem um passado, uma memória, uma história... múltiplas identidades.


Nas excursões de um dia no Bosque a vista se perde. São incursões de uma alma cheia de espanto. Evasões desapercebidas pelo tempo atual.


Fixando mais de perto (ainda sou míope!): reconheço mundos, todavia não pertenço a nenhum.


O que vejo e meus olhos não abarcam? Espaços ocupados, mangueiras derrubadas, salas agora com nomes (mas sem rostos claros, definidos, são todos indistintos).


O que vejo e meus olhos não definem? Os cabelos brancos com áurea e sorrisos juvenis tomando conta dos cantos e recantos de meus esconderijos: minhas terras não descobertas, nunca reveladas (ainda estão guardadas nos ferros que seguram a Ponte, nos sonhos enferrujados, nas fugas da inquietude de minha alma arisca)


O que vejo e meus olhos não dominam? Os vincos nos olhos da bibliotecária, dos náufragos, gigantes, ausentes, lunáticos, vendedores de livros fantasmagóricos que passam com jeito de quem fica...fartos vincos, amarelados vínculos...


O que vejo e meus olhos não ajustam? As paredes inexistentes da cantina da Cultura alemã...meus muros erigidos quais castelos (Fortalezas?!) tão frágeis, desaparecidos numa morte sem despedida, lágrimas e murmúrios) (dos que um dia defenderam as mangueiras do Bosque de Letras...quais cavaleiros dos contos de nossa história de andantes –seres encantados das Letras)


Um viva aos destemidos! Um viva aos que, de fraqueza, se escondem.
Aos que, de medo, se recolhem (levando os rastros)
Aos que, de insanidade, se enfrentam (com leves vestígios)
Um viva aos visitantes, presos a documentos...
Aos estranhos que nada vêem.
Aos novos alunos – ainda não sabem!
Aos velhos alunos - ainda não esquecem!
Aos que não viveram, são só passeantes.
Aos que viveram, meras lembranças...
A mim – viajante temporária (perdida, inquieta, assustada com os estragos do Tempo).


sábado, 1 de agosto de 2009


Leves vestígios


O homem de chinelo
aparece no meio da estrada,
veste algodão cru,
corpo esguio,
olhar sereno.

Parece dominar a natureza.
Inclui simplicidade
no caminho,
andando, deixa marcas
atrás de si.

Solitário ente
Perdido entre árvores secas,
Trilhas poeirentas.
Por pontes passa,
carregando sua dor.

Na beira d’água
deixa outra marca.
Beijo selado na areia.

O homem de chinelo
trabalha de sol a sol,
constrói mundos,
novidades, sonhos.

Tão leves, tão frágeis.
No fim, tudo desaparece.
Fica só a marca
dos longos pés no chão de terra.





PS: Esta poesia faz parte do conjunto que recebeu "Menção Honrosa" no IV Concurso de Poesias Zila Mamede 2008

* Imagem: Pesquisa Google => www.portinari.org.com (Pés - Cândido Portinari)


sexta-feira, 10 de julho de 2009

(Lembrando Maranguape...)







imagem: upload.wikimedia.org/.../180px-RAJADA.JPG





Há samambaias vermelhas enfeitando
Encostas das Serras de guerreiros.
Há ninhos pretos, nuvens baixas, mar distante...
Graúna cantando também há,
E já era cidade noite com tempo de chegar...

Há um rio cortando veias, limpando a paz...
Pedras no vão, no chão, no coração também há.
Nenhum sonho, nenhum desejo, noites mudas.
Há afeto, há carinho, há emoção
Mas onde está a POESIA dos meus dias de luto?

Araceli
Em 29/05/1989*





*Outro poema que está no livro O Chamado ou um cântico para a liberdade (SCORTECCI, 2008 - 2ª ed. !!!)

PS.: Pensei que fosse fácil encontrar uma imagem de uma samambaia vermelha. Encontrei uma, mas não parecia em nada com a que eu vi no passeio à Pedra Rajada, na cidade de Maranguape/CE, em 1989. A visão lá de cima é de matar!

terça-feira, 30 de junho de 2009


Este poema está no livro "O Chamado ou um cântico para a liberdade" (SCORTECCI, 2008). Título imenso para registrar "o chamado" para a vida, recebido após uma longa caminhada que deixava de lado alguns sonhos possíveis.





O balé das roupas no varal
sempre atraía meus olhos desocupados
Era como folhas num vendaval
Presas em fios bem amarrados.


E mais adiante as lavadeiras
de baixo do sol escaldante
torcendo, batendo nas carreiras
onde a sujeira fazia-se impregnante.

Eram mãos engelhadas e sofridas
que padeciam sob o sabão,
que esfregavam as encardidas
peças do patrão.

Dia a dia naquela sina:
lavar, bater, ensaboar e estender.
E meus olhos de menina
fitavam sem compreender...

A rotina de sempre estar ali
à beira do rio, cantando.
Tendo a vida a se diluir
como as bolas de sabão que vão voando.

E o vento a levar as roupas dali,
rolando-as no espaço
Com meus olhos a percorrer o vai e vem
das lavadeiras nos seus mesmos passos.

Em 26/10/87

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Rédeas - Afinal é dia dos namorados!


Amor indócil este meu,
nasce como água de fonte:
corrente livre,
alargando margens, caminhos, regatos antes secos...

segue em frente, sem barreiras
ignorando paisagens, pontes, travessias.

mas esbarra em teus olhos castanhos... quietos, arredios.

foges para teu mundo isolado...
desconfiando dos meus sonhos, dos meus dons, do meu caminho...

também esbarro nos teus olhos...sou inflexível em meu amor sem amarras.

registro em mim teu medo, tua história
e nem sei dos rastros que já deixastes em minha estrada.

teus modos insinuam tua dor, tua ânsia.
e queria (quantas vezes pudesse) abraçar-te, alcançar-te em alma, sonhos.

abrir uma porteira entre meu mundo e tuas paredes.

Às vezes, de leve, de mansinho,
seguro tua mão forte... também seguras meus olhos úmidos, meu amor em cavalgada,

mas tens de ir: sempre é cedo para um laço,
sempre é tarde para a água que corre livre.

no canto dos teus olhos vejo as marcas, os traços que não queres que eu veja.
Leio almas: as marcas aparecem em plenitude.

meu amor indócil não descansa,
é livre, amplo,
perdido em mil sentidos: só precisa de ti!

sábado, 6 de junho de 2009

Dia Mundial do Meio Ambiente e os mini flamboyants do Jardim de Araceli*


1005 sementes de mini flamboyants distribuídas entre 04 e 05 de junho... na esperança de quem as recebeu possa cultivá-las. Uma bela turminha ficou responsável pela distribuição, crianças amigas que entenderam a mensagem: "árvore um presente para a vida"
Fica o recado: quem recebeu, depois diga o que aconteceu com as sementes... com as belas flores que irão iluminar os jardins de Natal e Parnamirim.
* imagem: Google





quarta-feira, 3 de junho de 2009


uma mente pacífica

conduz mudanças para vida ...


onde ouvi isso?

no impacto, me pergunto:

que mudanças minha mente irá conduzir?


Só vive em tumulto, rebeldia,

campos minados,

terras distantes,

intranquila

questionadora

sempre alerta!


*foto: arquivo pessoal - Tibau do Sul/RN férias de 2009

terça-feira, 19 de maio de 2009

Alianças


Para Andréa




Tudo era para sempre:


a cabeça fria, o vestido solto,

sandália de dedos, os pés no chão de areia.


Tudo era para sempre:


as mãos dadas, os poemas lidos ao pôr do sol,

o corpo morno estendido na rede, o vento à beira mar!


Tudo era para sempre:


nossos sonhos, os gatos, os quadros,

a vitamina, os biscoitos, meu bordado, o futebol.


Mas o "prá sempre" sempre acaba:


resta um sorriso doce, as tardes longas diante do livro aberto.

A imensidão do mar, chegando em rosas no quadro em minhas mãos.
* Imagem: Pesquisa Google


sábado, 2 de maio de 2009

Os xales [lembrando que nesta semana é dia das mães]

O tear batia para frente e para trás. As mãos ágeis cruzavam as linhas como quem trama os destinos: apertando aqui, soltando ali; colocando um fio prateado nessa parte, juntando um punhadinho de linha mais à frente; outra laçada, um nó e pronto, tava feita a vida, tava feito um xale de noite.
Em nenhuma parte dele ficavam os vestígios das mãos que o tecera. Em nenhuma franja denotava o árduo trabalho das mãos enrugadas e calejadas a gerar as tramas.
Era um xale para a noite. Preto, comprido, quente. Feito a noite, feito o destino, feito a vida, feito o abraço. Veio ao mundo com um irmão gêmeo, como distinção só as tramas na vertical.
O marido trouxe. Um para ela, a mulher, outro para a filha, o orgulho. Destinos tão diversos.
Porém, cada xale era único, era um, era uma marca. A única semelhança: xale para a noite, para o brilho. Para a névoazinha que cobria a vastidão da Serra em noites de São João.
Em uma, o xale vestia para as missas, os encontros da igreja, a missa do Galo, da Páscoa, da comunhão, em dias de luto, de dor, de guerra.
Em outra, o xale vestia para os bailes, para as despedidas, cantorias na madrugada, para o orvalho do beijo ao amanhecer.
Por duas gerações inteiras os xales sobreviveram. Um ficava no velho baú ao pé da cama. O outro, dobrado no cabide colocado no escuro guarda-roupa. Vidas distintas. Mulheres distintas.
Em uma o vestígio da outra: olhar seguro, ombros delineados, pernas torneadas. Em ambas, o xale caia com ar de leveza.
A vida corroeu-se aos poucos, levando graça, beleza, olhares alegres e sonhadores. O xale de ambas permaneceu. Cada um intacto. Fibra tecida sem vestígios de dor, abandono, lágrimas ou solidão. Seda entrançada de fios pretos e prateados, franjas balançando ao movimento. Na cadência das estrelas, enfeitando a vida. Xale para festa: felicidade resguardada pela fragilidade de linhas seguras. Xale para a fé: vínculo guardado com coisas eternas, marcado pelas lágrimas e contas rezadas.
As mulheres se foram, mãe e filha levadas pelo tempo do século passado. Os xales ficaram em mãos diferentes, distantes um do outro, sem a renovação pela vida-dança ou pela oração-sofrida.



* Publicado pela primeira vez em
www.anjosdeprata.com.br. Aqui, com pequenas alterações no título e no final.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Pensando em sonhos II




O sonho de ter todas
As gavetas em ordem,
Todas as prateleiras, armários.

O que é azul com o azul.
O que é livro com os livros.
O que é dentro, todo dentro.
O que é de fora, todo olhos.

O sonho de ter o tempo
Em ordem, numa ordem: não finito.
Tempo com as crianças,
Tempo para as crianças.
Tempo com o homem,
Tempo para o homem.
Tempo extra, incomum, continuum, desacelerado!

O sonho de ter tempo para tudo:
Roupa, corpo, casa, comida, jardins e carros;
Livros, pensamentos, sonhos, música e teatro: minha voz!

Sonho, fenômeno longínquo,
Nuvem baixa, neblinando
Nas serras de minha alma inquieta.

Sonho, frágil sombra,
Sem profundidade, águas rasas
Sem reflexo, nem voz (só o eco!).

Há sempre que se acordar
Diante do tempo que urge,
Na fila, no congestionamento,
No calor, nas distâncias.

Assim como há de se sonhar
Com o tempo de ser plena,
Flor, insana,
Coragem e luz.

Para ver o jarro florido na janela,
Os filhos crescidos no mundo,
O homem deitado numa cama, para o sono tranqüilo...

[E quem disse que as mães dormem sonhos tranqüilos?]



Foto: arquivo pessoal, tirada por Caio César - Exposição "Dino" - OCA, SP, 2006

domingo, 8 de março de 2009

Homenagem ao dia da mulher


Poema para lembrar de minha irmã...*

Duas irmãs brincam -
ao seu lado
fitas, bonecas, sapatos de lã.
- Você quer comidinha?
- Passa o bolo, por favor?
- Tem mais na panelinha?
- Dê mais pra sua filhinha...


A comida é de verdade
As panelas, de brincadeira.
Elas riem, encostam-se uma na outra e olham o céu:
-Como está cheio de algodão-doce!

Dormem juntas,
Juntas crescem.

- Parecem gêmeas de vestido branco,
bem curtinho, sapato com fivela e meia três-quartos
.

- Parecem dois anjos
de cabelos cacheados,
olhos puro marrom,
boca puro vermelhor,
bochechas rosadas...


Seguram uma carrocinha
puxada por um cavalo branco...

- Prontas para a foto?

E o sorriso de dois seres
mágicos guardou-se
para o tempo futuro.

São apenas duas meninas,
dois rostinhos inocentes,
eternizando o que a vida tem de bom:
as irmãs.



* Uma das mulheres mais fortes e corajosa que conheci em meus caminhos.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009


no vasto deserto

de minha solidão

existe uma casa bem perto

do infinito


no rastro do deserto

de minha solidão

existe um infinito bem perto

de minha casa


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009


Eu sou uma árvore solitária
dando sombra a quem quer ficar
dando fruto a quem quer provar.
Plantada estou, nessa terra imaginária.

E estendo os braços para o amigo vento,
nem vejo as guerra, as dores, o vozerio,
fico aqui, triste com meu lamento
profundo de solidão, debaixo do sol arredio.

Solitária árvore verde, aqui estou,
Minhas folhas trocam-se,
Minha casca enruga-se,
Não tenho para onde ir, sei só o que sou:

- Árvore jovem, flor que sempre renasce
com o vento, a chuva, a aurora...
E mesmo que nada se plantasse
Ainda ficaria a solitária semente germinadora...


03.setembro.88

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Poemas premiados com Menção Honrosa no IV Concurso de Poesias Zila Mamede

Paisagem de meus olhos



O sertanejo:
duro, moreno, olhos cegos de tanta luz...
Boca moscando um quê de nadinha,
cuspindo seco.


O sertanejo:
vivente acordante.
Trabalhador de correias,
construtor de açudes
sempre secos, feito as
pontas de galhos que se quebram na vista dessa estrada...






Canção pra cabloca do meu sertão




A mulher abre a porta,
varre o quintal,
levanta poeira.
À pino está o sol,
o nordeste queima o horizonte,
“quanto vento morno!” –
lembra na rede o homem quente.
Uma sombra nos olhos
Ardem feito poeira do chão de barro.
A barriga inchada do filho descalço
Lembra: “é hora de feijão com farinha”.
“ – Quem vem pra mexer
a panela que entorna
um coração pedinte de sonhos?”






Canção pra nega velha da Fazenda


A negra velha
Ajoelha-se diante do santo.
Põe feijão, folhas de louro,
Rosas, sal grosso.

Pede bênçãos, pede liberdade,
pede vida boa pros netos.
São muitos: negros, mulatos, sararás.
Um quase branco.
“Isso dá vida à vida?”
É sangue negro, sangue grosso,
desce das costas
que a chibata abriu.

A velha negra dorme quieta
tem no colo um pobre ser
e canta firme:

“Vem, meu Deus,
alumiá meu dia,
alumiá a vida,
alumiá meus sonhos!”





Leves vestígios


O homem de chinelo
aparece no meio da estrada,
veste algodão cru,
corpo esguio,
olhar sereno.

Parece dominar a natureza.
Inclui simplicidade
no caminho,
andando, deixa marcas
atrás de si.

Solitário ente
Perdido entre árvores secas,
Trilhas poeirentas.
Por pontes passa,
carregando sua dor.

Na beira d’água
deixa outra marca.
Beijo selado na areia.

O homem de chinelo
trabalha de sol a sol,
constrói mundos,
novidades, sonhos.

Tão leves, tão frágeis.
No fim, tudo desaparece.
Fica só a marca
dos longos pés no chão de terra.




Urgência pós-moderna


Preciso de casas
pequenas
arejadas
insípidas
para sustentar
os pesos
mortos
de meu vivo coração.

Preciso de igrejas,
messiânicas
católicas,
russas e mulçumanas,
para encontrar
um Deus
aberto que abençoe
meus inúmeros
pecados
sãos.

Preciso de gente:
homens,
mulheres,
crianças.
Principalmente
homens que julguem
meus dias inglórios,
trágicos, dramáticos e nulos.

Preciso de fé,
paixão
sexo,
escuridão, mais ainda
de castiçais que se
apaguem ao
encontrar com minha alma
perdida,
amarelada,
imunda,
de solitária transgressões.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

insone



na taça, mergulhada estou.
nada passa
nessa madrugada que chegou.

insone, desamparada
permaneço no ar...

a noite vai - iluminada.
o dia acorda pra me matar.

olhos injetados de um mal que veio pra ficar