Mostrando postagens com marcador Scortecci. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Scortecci. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Boca, de palavras vãs,
promessas loucas,
beijos nunca dados...

Boca, cheia de nomes,
falares, poesia,
palavras não-ditas...

Boca, perdida em suspiros,
aberta em espantos,
calada em propostas.

Boca, desejo sentido,
Boca, expressão incontida,
Boca, minha invenção!


Em 11.09.2002

In: O chamado ou um cântico para a liberdade. 2. ed. Editora Scortecci, 2008.

 
Imagem: Pesquisa Google


* * *

domingo, 23 de maio de 2010




Minhas mãos já velhas
e ressequidas
caminham atrás de teu rosto,
distante, assustado...

Não sentem a pele rompida
desejando correr
leves em gestos suaves...

Antes voavam nos balés, nas noites,
perfumadas, incendiavam tua boca
sensível, florida...

Hoje, despertando, vi-as roxas,
fúnebres, velhas...
teu desejo as puseram de lado,
levantam-se só para adeuses!

Pouco fazem, pouco tocam,
mãos, minhas mãos!
julguei-as belas, jovens, sempre ágeis!

Pelo menos lágrimas,
minhas lágrimas,
ainda secam!








Poema publicado no livro "O chamado ou um cântico para a liberdade" - Scortecci, 2ed., 2008.