segunda-feira, 4 de março de 2013

Mulheres nos novos tempos I





Todo dia ela se arrastava até o trabalho, até dava para pensar “Ali ninguém gostava de trabalhar”, dava para ver no jeito que acordavam, andavam e esperavam o ônibus naquela manhã ensolarada. “Eram rostos sem cara ou caras sem rostos?”  A mulher abria a bolsa para pegar o dinheiro. Olheiras encovavam o que ainda tinha de beleza. Sacudindo entre as lombadas da via, ia para mais uma faxina. “Se não fosse aquele traste, eu ainda seria uma dona de casa. Somente isso”!.


* Imagem: Cândido Portinari: http://www.portinari.org.br/

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Diálogo



Gosto mais ainda quando as palavras choram, quando cantam e encantam...

Mais ainda quando se aborrecem e se esquecem do que é medo, solidão e angústia.

Para elas, as palavras, a emoção vem com os colibris, o arco-íris e a paisagem verde. Assim, saem vibrantes, radiantes, eternas, nunca vazias.

Palavras apenas!






domingo, 20 de janeiro de 2013



Ontem me vi
varrendo areias,
segurando ventos,
sozinha entre os lenços
a esconder meu rosto.
                     Sacrifício desumano
                      nos respingos do sol
                     numa imensidão de dunas
                     solidão de olhos negros...vazios.
O chão ardia e
era eu ali
amortecida no calor
a afundar os pés...três para frente, cinco para trás.
A terra a prender minha caminhada.

Desde quando eu percorro
quintais esquecidos?
Quando alguém jogou um copinho
neste imenso areal?


Em 20.01.2013

                                                *  *  *

Imagem: Pesquisa Google: http://sosleitoresmurca.blogspot.com.br/2010/05/mulher-no-deserto.html#links

                                                                  *

domingo, 16 de dezembro de 2012

Algo que caiu de mim!




Um vento-demônio
           olhou para mim num dia leve.
                       Espanto
    com o rachar de minhas fibras.

                  Vacilo de Deus
deixar sua taça mais valiosa exposta assim,
                                             diante de mãos grosseiras, imundas, infiéis.

Trincada, estou à espera
de quem venha juntar meus caquinhos.

[Quem sabe essa brisa-anjo sopre nas formas da vida 
                                 a proteção daquilo que está por vir]




                       

Imagem: Pesquisa Google:
http://noticias.vidrado.com/destaque/home-fim/esculturas-humanas-com-cacos-de-vidro-por-daniel-arsham/


*   *   * 


domingo, 21 de outubro de 2012

A mulher e o tempo



Naquele dia o vento
levou para a frente
da casa toda a poeira
do mundo
as folhas secas e
restos de sonhos.

Era necessário fazer
algo urgente:
charac...charac...charac
E a vassoura jogou
tudo para cima
como nunca!

















Imagem: Pesquisa Google: http://jornale.com.br/wicca/2009/02/11/como-a-bruxa-ganhou-a-vassoura/

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

30 anos de poesia...tempo de comemorar!

Primeira poesia publicada no Jornal de Brasília em 22/07/82

As correções foram feitas por minha mãe - autora da proeza: ela me inscreveu como jornalista-mirim do Jornal de Brasília e enviou por mim. Qual não foi a surpresa.


Os últimos versos não aparecem:

Vida sem amor,
sem flor.
sem nenhum calor!
vida da
fome, da guerra,
da ruína e da dor!

O título, no meu caderno de poesias, foi alterado por mim, dois anos depois: Esquinas da Vida.